domingo, 11 de outubro de 2009

O Evangelho Segundo João - O Quarto evangelho e os Sinópticos.


Dissemos que o quarto evangelho se distingue dos outros. Todavia, não o podemos isolar totalmente dos sinópticos, por que os pressupõe como conhecidos, em todo caso a tradição que relatam. Assim, por exemplo, em 1.40, André nos é apresentado como irmão de Simão Pedro; ora, de Simão Pedro ainda não foi falado. Em alguns pontos têm-se a impressão de que esse evangelho quer ratificar os dados dos sinópticos, como se estivesse melhor informado do que estes; em 3.24 certifica que "João (Batista) ainda não tinha sido encarcerado", quando Jesus já começara seu ministério público; segundo Marcos, ao contrário, Jesus começou a pregar somente após o aprisionamento de João Batista (Mc 1.14).

Ademais, o Evangelho joanino diverge dos sinópticos, não somente pelo quadro cronológico e pelo plano geográfico que dá a narração da vida de Jesus, mas sobretudo por perspectivas teológicas diferentes.

COnsidera os mesmos acontecimentos que os sinópticos, mas a distância. Trata-se sobre uma mediação em profundidade sobre os eventos centrais da história da salvação. Seu designo é por em evidência a identidade entre o Jesus Histórico e o Cristo presente em sua Igreja, traças as linhas que conduzem de cada evento da vida de Jesus a cada manifestação da vida de Jesus o Cristo, o Senhor glorificado, na Igreja. O objeto desse evangelho. O objeto desse evangelho, não é, portanto, como alguns afirmam, uma verdade abstrata, mas um conjunto de acontecimentos históricos, apresentado como o ponto culminante de toda a revelação divina. Longe de negar a biografia de Jesus, num misticismo não histórico, o evangelista a toma muito a sério. Os eventos precisam ser reais para serem significativos; não são simbolos, mas realidades, cuja a importância, no entanto, ultrapassa o momento em que se produziram e se estende a história da salvação em sua totalidade.

Jesus cristo é, nesse evangelho, ao mesmo tempo humano e divino, e o autor, longe de ser "docetista", até combate o docetismo (doutrina segundo a qual cristo teria tido uma aparencia de homem): Jesus Cristo é o Verbo feito carne (1.14). Em sua conclusão, o evangelista indica, ele mesmo, o objetivo de sua obra: "Estas (cousas) foram registradas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome " (20.31).

CULLMANN, Oscar. A formação do Novo Testamento. 7ª Edição, Sinodal, São Leopoldo, 2001.

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