sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O que quer o Senhor Paulo Sérgio Pinheiro?


Veramente interessante o texto de Paulo Sérgio Pinheiro, na Folha de São Paulo, sob o título; “O Constrangimento do Silêncio”, e a chamada; “É preocupante que militares se arroguem como sensores de linguagem de um decreto presidencial e exijam a modificação do texto de seu comandante em chefe.” Nele o jornalista expressa sua opinião a respeito da dita comissão nacional verdade[sic].

Primeiro, Pinheiro cita, acertadamente, que o regime militar foi causador de crimes, algo que é atestado pelo documento, também citado, denominado “Brasil nunca mais”. Repressão violenta, prisões indevidas, assassinatos dentre outros crimes contra os direitos individuais foram cometidos, com um saldo de aproximadamente 500 mortes, dentre as quais a maioria de militantes armados revolucionários.

Enquanto isso, COLINA, VPC, MI 8 dentre outros assaltavam, matavam, seqüestravam, julgavam e sentenciavam. Roubavam cofres, carros, armas, mantimentos e organizavam-se junto a grupos terroristas de outros paises Latinos Americanos.

Até ai tudo bem. Que o regime militar foi criminoso em diversos aspectos, isso não dá para negar. Porém dizer que os militares não têm o direito de manifestar suas considerações, e protestar contra uma criminalização unilateral efetivada pelo governo federal, já parte para, no mínimo, uma sandice.

Na dita comissão, visa-se apurar os crimes cometidos no período do Regime Militar, logicamente somente pelos Militares, para suscitar a “verdade” a respeito de desaparecidos nesse período. A questão é que, quem irá realizar tais pesquisas, relatórios e pareceres serão os “coitados” que foram “perseguidos” durante o regime. “Coitados” armados que foram responsáveis por quantos desaparecimentos?

Essas pessoas que não podem ser chamadas de nada menos que terroristas, assassinos, ladrões, baderneiros etc. Foram anistiados de fato, porém é claro que a anistia perdoa os crimes legalmente mas não os apaga moralmente.

Ainda que fossem meras vitimas inocentes, o que de fato não são, seria totalmente incoerente deixar que levem a cabo o intento sem um posicionamento opositório. É óbvio que existem interesses envolvidos para desmoralizar as Forças Armadas. Para haver uma comissão da Verdade com o mínimo de integridade, pelo menos Militares e Civis deveriam participar, e todos com plena liberdade de expor fatos e opiniões, o que de fato não esta ocorrendo.

Porém, o que quer o Senhor Pinheiro é ver os militares calados frente a uma proposta virtualmente engendrada para desmoralizá-los. Segundo ele, os militares deveriam se submeter a tamanho disparate, pois seria “antidemocrático” que tivessem voz frente aos ditames do governo que os comanda.

Conclui-se então que, se o nosso estimável apedeuta presidencial requerer de seus generais, que apareçam todos pelados na Explanada dos Ministérios e, os milicos se negarem, a democracia brasileira estaria sendo atingida pela insurreição contra o comandante em chefe.

Pior ainda é chamar de ridícula a posição do generalato, que frente a tais intenções, ameaçaram demissão em massa. O que o senhor Pinheiro gostaria que eles fizessem. As armas estão em suas mãos, então uma revolta armada poderia ser realizada. Porém, diferente das ações dos grupos armados que atacavam inocentes, detonavam bombas, assaltavam pessoas, o que fizeram foi um protesto pacifico e honrado.

Como Pinheiro ressalta, o Presidente poderia demiti-los, como ele mesmo disse: “por um simples aceno e cabeça”. Se assim fosse, estaria comprovado a clara intenção ditatorial de Lula, amigo do companheiro Castro.

Alias, governos ditatoriais estão pululando pela América Latina. Acusam o regime de censura, mas o Governo Argentino está ai, perseguindo a liberdade de imprensa. Evo Morales invade imóveis e terras alheia, num total desrespeito a propriedade privada. Hugo Chavez... bem, esse nem vou me dar o trabalho de comentar.

Graças a Deus que, como atesta Pinheiro, o Brasil continua na rabeira dos Paises do Cone Sul, pois a realidade é altamente preocupante. Enquanto houver pessoas, como os bravos militares que não aceitam serem desmoralizados gratuitamente, o Brasil ainda terá esperanças. Quanto ao Senhor Pinheiro, penso que ... não! Deixa pra lá. Nem vale a pena!

Nenhum comentário: