
Esse texto é do Professor Luiz Felipe Pondé, publicado na Folha de São Paulo, em sua coluna semanal. Como somente publicar o texto, sem tecer considerações pessoais, não seria o papel desse blog, alocarei minhas elucubrações, tecidas de meus neurônios carunchados, entre os parágrafos, em italico e alaranjado, que julgar caber alguma consideração. Dedico esta modalidade de publicação que principio aqui, ao meu aluno e amigo, vulgarmente conhecido como "pequeno chê", Douglas Guimarães.
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O QUE a arte tem a ver com o concílio climático de Copenhague? Ao que parece, há algo de ridículo na relação. Vejamos.
Mas, antes, um reparo. Nunca soube desenhar nem uma casinha sequer. Sou um zero à esquerda em arte figurativa. Essa minha incapacidade se transformou num critério (às avessas) para minha avaliação não profissional das artes plásticas: quando olho para um quadro e percebo que conseguiria fazer igual, assumo que aquilo não é arte, mas sim oportunismo estético.
Sim, sei que não sou especialista em história da arte, mas suspeito que muita gente que não sabe desenhar ou pintar nada usa bem a tal "desconstrução das artes plásticas" de gente como Picasso ou Kandinsky para dizer que faz "arte conceitual", mas que, no fundo, se pedirem a ele pra desenhar uma casinha, desenhará uma casinha tão horrível quanto a minha.
Engraçado professor Pondé, eu tenho exatamente o mesmo sentimento em relação à arte. De fato, tenho ouvido-visto tanta coisa que denominam "arte", mas sempre fiquei meio aperreado com a tosquice, agora já me sinto mais seguro para definir o que eram aquelas manifestações"artísticas"
Exemplo? Lembro-me bem de uma bienal na qual uma grande tela branca constava como importante exemplo de arte contemporânea. Um "manual de instruções" acompanhava a peça a fim de explicar a nós, "mortais", porque aquilo era arte. Papo-furado.
Mas, e daí? A coisa fica pior quando o artista se faz militante político. E aí chegamos à relação entre arte e Copenhague. E como quase todo artista quer ser mais famoso do que é, uma militanciazinha qualquer ajuda a aparecer. E aí as causas abundam porque o mundo é precário mesmo. Não sei se foi Oscar Wilde quem disse, mas alguém disse que toda poesia sincera é ruim. Faço uso dessas sábias palavras para dizer que toda arte política sincera é péssima.
Sim professor, foi sujastamente, pelo menos segundo Hadold Bloom, sua obra "Como e porque ler", da editora objetiva, na página 182. Só é preciso ler o sincera não como aquela obra verdadeira, mas aquela que quer postular-se como verdadeira. A mim, essa parece ser a intenção e Wilde, apesar de não tê-lo lido totalmente, arrisco-me a essa afirmação, retratando-me caso esteja equivocado.
E por quê? Porque o artista-ativista quer mesmo é aparecer.
Recentemente, lendo a Ilustrada* (15/12), topei com uma intrigante matéria sobre o concílio bizantino de Copenhague e a participação de artistas-ativistas (em jejum) contra o aquecimento global. Vale esclarecer para o leitor desavisado que "concílios bizantinos", afora o fato que, em muitos concílios, se discutiu coisa séria acerca dos fundamentos do cristianismo, passaram para a história como símbolos de discussões intermináveis sobre "o sexo dos anjos" e o impacto em nossa vida terrena e eterna caso os anjos tivessem ou não sexo.
* Para aqueles que não conhecem a Folha de São Paulo, "Ilustrada" é o nome de um dos cadernos do referido jornal, onde o professor Pondé publica sua coluna semanal.
Também discutiam, podemos deduzir, se havia apenas anjos ou também anjas, e se gemiam no orgasmo. Se fosse hoje em dia, discutir-se-ia também se há anjos gays e anjas lésbicas.
Repito, sou um herege, não acredito que nós, humanos, aqueçamos o planeta. Mas, em breve, estaremos enterrados em impostos e fiscais por conta dessa nova fé e pagando "carbonos" pra respirar.
Agora lascou, acabo de ser rotulado de Herege pelo professor Pondé, pois compartilho da mesma crença. Agora, o "em breve " foi pura bondade. É só fazer uma pequena pesquisa para saber o valor que se paga para abrir uma empresa. Sim, "enterrados em impostos e fiscais", não há como constituir uma iniciativa privada forte, e agora essa de pagar por carbono... vamos pagar para respirar...
Pior: se a coisa pegar (e tudo que significa mais controle pega porque vivemos em épocas totalitárias), teremos fiscais ecológicos em nossos enterros, além, é claro, do "ecocadáver". E aí chegamos aos artistas-ativistas a favor de cadáveres verdes.
O que vem a ser um "ecocadáver" ou um cadáver verde? Um "ecocadáver" é um cadáver que, em vez de ser enterrado ou cremado, deverá ser "congelado em nitrogênio líquido, pulverizado em bilhões de partículas e reintegrado ao solo numa nuvem de poeira orgânica".
O método teria sido desenvolvido por uma sueca. Tá vendo, cara leitora irritada, quando digo que o mundo vai começar a acabar pela Escandinávia? O tédio desses caras nos matará a todos... E se os cientistas-sacerdotes da nova fé descobrirem que será melhor para combater o aquecimento global comermos essas partículas orgânicas? Essa gente entediada costuma comer tudo em que aparece na bula a palavra "orgânico".
Inclusive um "Prêmio Nobel da Paz" genérico. Mas, uma pergunta, esses suecos não são conhecidos por fazerem filmes de conteúdo impróprio para menores de idade? Hum, acho que isso explica um bocado!
Sempre pode ficar pior: para a alegria desses artistas em jejum, essa ecopreocupação com os enterros demonstraria nosso avanço em relação ao "conceito" de restos mortais! Quanto mais rápido entendermos que nossos cadáveres são "lixo" poluente, melhor, diz o idiota ativista.
E assim caminha a humanidade. Nem nossos cadáveres estarão a salvo do tédio e da mania de controle. Na democracia, a opressão é invisível e a repressão cai sobre o detalhe. Tudo bem que Nelson Rodrigues já avisava que os idiotas iriam herdar a Terra, mas será que ele imaginou que nem nossos cadáveres ficariam em paz em seu repouso no pó? Nem o pó será livre.
Não, a civilização não é um bem evidente quando se torna excessiva em suas normas. Logo viveremos na paz dos idiotas, e eles gargalharão. Os comedores de rúcula terão enfim vencido a batalha pelo fim do mundo. Sei lá, só posso imaginar que essa gente está de jejum é de sexo.
Luis Felipe Pondé em artigo para o FSP no dia 21 de dezembro de 2009


2 comentários:
Dia desses eu assisti a uma entrevista com o professor Luis Carlos Baldicero Molion, da Universidade Federal de Alagoas, ao Canal Livre. Ele afirma categoricamente que não há aquecimento global; que há ciclos de aquecimento e resfriamento; que estamos num de resfriamento; que a emissão de gás carbônico é sem importância para o aquecimento; que a média de calor global aumentou, mas a Sibéria, que puxa para baixo, deixara o cálculo da média; que há interesses econômicos e políticos nessa defesa das conclusões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Creio que o Nobel da Paz para o Painel foi tão político quanto o de Obama, que nada fez pela paz no mundo, ao menos por enquanto. Fez o "favor" de incrementar a guerra no Afeganistão e de falar mais de guerra do que de paz na cerimônia de entrega do Prêmio. Essa coisa de aquecimento global é sustentada por cientistas, mas eles não são os únicos na comunidade científica, pois há muitos cientistas que pensam diferente, mas talvez não tenham seus projetos de pesquisa financiados pelo grande capital.
Creio que você esteja certo Alex.
Existem, de fato, grupos que têm muito interesse, políticos-econômicos, que financiam pesquisas marcadas, onde o resultado é sempre o mesmo: "A humanidade está destruindo a terra", e com isso, vão solapando a consciência coletiva, que pouco a pouco vão cedendo a esse intento.
A Nova Ordem Mundial têm muito interesse nisso, e fundações estranhas como os ROckfeller, Fundação Ford dentre outros...
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