quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Que ironia: a Igreja brasileira parece com o Lula!


Esse texto é do meu grande amigo, ex-aluno, Alex Esteves. Um pessoa que admiro pela sinceridade e erudição. Convido a todos que acessem o Blog dele, é um lugar interessante, cheio de idéias geniais e da mais sublime sinceridade ética e moral, marcas de um verdadeiro cristão, que como eu não é perfeito, mas não cala-se frente aos desafios de nossos dias _____________________

Na campanha presidencial de 1989, dizia-se que se Lula ganhasse fecharia as igrejas. Diziam também que ele era comunista, usando o termo no pior sentido possível. Muitos crentes acharam que essas coisas fossem verdade. Aquele "sapo barbudo", como alguns o chamavam, assustava os eleitores. Eu tinha 12 anos de idade e lembro bem de algumas passagens daquela campanha - creio que sempre gostei de acompanhar a política.

Que Lula é um comunista, no “pior sentido” do termo, isso as “Atas do Foro de São Paulo” não deixam dúvidas. Em uma democracia, relativamente bem delineada, como a do Brasil, fica difícil de implantar o que realmente anseiam a nova onda comunista ocidental, mas a Venezuela, a Bolívia, Cuba dentre outros já demonstraram que esse corja ainda vive.

Todavia, o tempo passou, e aquele ex-sindicalista e ex-metalúrgico se tornou presidente da República, o mais popular da história do Brasil, talvez o mais carismático, alguém que se enxerga como o mais legítimo representante dos brasileiros em todos os tempos, que acha que fez muitas coisas inéditas, o que sintetiza com a frase "nunca antes na história deste País". Um homem emblemático, bonachão, de liderança fácil. Um homem de pensamento conservador que se lançou na vida pública por meio de lutas próprias da esquerda. Um homem simples que usa metáforas futebolísticas para assuntos sérios, que pega no cotovelo do Papa, que diz com a maior facilidade que vai telefonar para o Sarkozy ou para o Bush a fim de resolver, numa conversa, um problema internacional grave, ou que poderia ajudar no conflito entre palestinos e israelenses - o qual é mais complexo do que ele poderia imaginar.

Olha, essa de “pensamento conservador” eu realmente não entendi. Em todo caso, acredito que o Alex está definindo o termo de outro modo, por que conservador é tudo o que o presidente Lula não é, provas disso: o apoio a manifestações em prol do aborto; de movimentos políticos de homossexuais; o estrangulamento da iniciativa privada através de taxas tributarias astronômicas, etc. Posso estar equivocado, mas não concordo dar a Luis Inácio o adjetivo “Conservador”.

Esse homem é hoje aclamado por gente de todo tipo, evangélicos entre eles. Sua candidata, Dilma Rousseff, participou do culto de aniversário de José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB). Recorde-se o leitor de que em 1997 (ou perto disso) o mesmo José Wellington afirmou no Campo de Marte, em São Paulo (por ocasião de um importante Congresso Pentecostal), na presença de um "fervoroso" FHC, que um crente da Assembléia de Deus é um sem-terra a menos, e deu a entender que os assembleianos ajudariam o então presidente na eleição. Diga-se de passagem que FHC disse "aleluia" naquele dia. Agora, porém, todo mundo acha que o Lula não é tão feio. Como disse o "filósofo" Kléber Bamban, ele agrada a "gregos e coreanos".

FHC e Lula não são muito diferentes, um pelo outro é trocar seis por meia-duzia. Agora, essa dos Evangélicos aclamarem Lula, e dar lugar a Dilma Rousseff. Não precisa muito, é só dar uma olhada na história de vida dessas pessoas, Guerrilheiros, terroristas anistiados, ex-membros de grupos armados para-militares. A anistia tornou nulos todos os crimes passados, mas não apagou aquilo que foram, e isso não pode ser jamais esquecido. Nunca ouvi esse povo lamentar, ou pedir desculpas por ter participado de movimentos de agressão à sociedade organizada. Dar lugar a elas em púlpitos é, ao meu ver, fazer aliança com as trevas.

E agrada mesmo. Outro dia o casal Hernandes, da Renascer, orou por Dilma Rousseff, por sua cura de um câncer linfático, logo depois de voltarem de uma prisão domiciliar nos Estados Unidos. Aquela oração teve ares de apoio político. Sim, teve. Pode ser uma coisa bem normal para o Lula, considerando como ele tem defendido explicitamente homens como Collor, Sarney, Renan Calheiros, mensaleiros do PT, e outros tantos corruptos, sob a bandeira fácil do "devido processo legal".

Não quero julgar a idoneidade das intenções do casal Hernandes, mas acredito que todos os Cristãos devem orar por Dilma, ela é uma pessoa, um ser humano, e parte do governo de nosso pais. Orar por sua cura, com certeza, junto-me aos Hernandes nessa oração. Orar para que ela arrependa-se de seus pecados e reconheça o senhorio de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo em sua vida, isso certamente. Essa é, alias, a grande diferença do cristianismo, orar até mesmo por aqueles que os perseguem. E como eles perseguem? Lutando por aquilo que tentamos preservar: Família x Divórcio; Vida x Aborto; etc.

Muitos hoje na Igreja brasileira, e fora dela, gostam de Lula. Uso o termo "Igreja brasileira" em termos bem genéricos, pois, como disse um ex-professor meu de teologia, Pr. Fernando Glória Caminada Sabra, "a Igreja brasileira não é um monobloco". Sei disso, e por isso faço a ressalva. Refiro-me à "Onda Gospel", a tudo o que prepondera na Igreja brasileira, a essa profusão de besteiras e desvios comportamentais que há em nosso meio.

Certamente Alex, de igreja, esses só tem o nome.

Afirmo, em suma, que há muitas semelhanças entre a Igreja brasileira e Lula: o populismo, o afã messiânico ("nunca antes na história deste País"), a escatologia triunfalista, as alianças espúrias, a distância entre discurso e prática, o simplismo, o desprezo ao estudo sistemático, o sensacionalismo, a ignorância como virtude, a santidade seletiva.

Se os escatologistas, pré-milenaristas, estiverem corretos, já dá para ver formas “religiosas” sendo constituídas por “lideres” políticos.

Ouvir Marco Feliciano e Cassiane, com todo o respeito, e deles retirar uma teologia para a vida, é como usar as falas soltas do Lula enquanto regra de fé e conduta: muita emoção e conteúdo superficial. E ai de quem for contra! Coitado do herege que não gostar de Lula, de Marco Feliciano ou de Cassiane! Deve ser frio ou conservador, atrasado ou elitista.

Sim, concordo plenamente. Alias, no texto que comentei do Professor Ponde, “Cadáver Verde”, assumi exatamente a alcunha de herege, juntamente com ele, devido a essas características que o Alex elencou aqui. Lá, o Professor Pondé estava falando da pseudo-arte, aqui, o Alex nomeia. Muito bom.

A ética da Igreja brasileira é seletiva mesmo: homossexualismo e adultério são os piores pecados do mundo, como os pecados mortais da Idade das Trevas. Mas improbidade administrativa, popularmente chamada de "corrupção", pode passar sem uma disciplina eclesiástica. Conheci - de longe, registre-se - um deputado federal envolvido no Escândalo das Sanguessugas em 2006, deputado federal de primeiro e único mandato e filho do presidente de uma importante igreja e convenção estadual do Brasil há décadas. Homem que hospedava Daniel Berg! O deputado de primeira viagem se viu grampeado com autorização da Justiça, dizendo ao Vedoim que estava "no sufoco". O que aquele senhor fez? Sequer voltou à nossa igreja para pedir desculpas. Meses antes, pedira votos, e depois do escândalo pediu de novo, mas felizmente perdeu. Pelo menos isso. Mas não houve disciplina...

Alex, você está observando as chagas que vem, cada vez mais, ficando mais e mais purulenta. Dá quase para sentir o cheiro podre de lideres eclesiásticos que vendem a vocação por um prato de lentilhas, isto é, por benefícios momentâneos. Mas ainda existem joelhos que não se dobraram, precisamos crer nisso.

Se for para a obra de Deus vale tudo? Esse pragmatismo é perigoso: o caixa dois do PT surgiu assim, culminando no mensalão que os petistas hoje dizem ter sido uma invenção do Roberto Jefferson. Foram apenas "recursos não-contabilizados" de campanha, como se isso não fosse crime eleitoral. Segundo o Lula, "isso é o que se faz sistematicamente no Brasil". Ora, em sua ética, se for um pecado sistemático, dá para passar.

Bom, nem sei se dá para chamar isso de ética. Vi outro dia o Zé Dirceu dizendo que “Agora o Brasil sabe diferenciar ‘Caixa dois’ de ‘Mensalão’”. O PT fez o primeiro, não o segundo. Como se importasse alguma coisa. Lembro-me de Ananias e Safira, que fizeram um “Caixa Dois” também, e o resultado não foi nada bom para eles. Essa facção criminosa travestida de Partido Político, que não tem vergonha nem de preservar réus confessos em suas fileiras têm que ser sistematicamente denunciada, assim como Alex está fazendo. É hora de usar os púlpitos não para eleger, mas para promover a justiça.

Está mais do que na hora de crentes se insurgirem contra essa situação nefasta em que se encontra a Igreja brasileira. Não podemos ser a Igreja do Lula. Somos a Igreja de Cristo. Nossos oficiais eclesiásticos não podem ser ordenados simplesmente para formação da "base aliada" do pastor. Lembro de um pastorzinho que me disse: "Aqui na igreja nós temos uma oposição". E emendou: "Precisamos sair para tomar sorvete". Engraçado: será que ele pensou que eu comporia a "base aliada"?

Essa foi ótima. Obrigado Alex, pelo ótimo texto. Que Deus continue a te abençoar ricamente.

2 comentários:

Alex Esteves disse...

Prezado Oclécio,

Que honra ter um texto comentado por você. Isso enriquece a discussão. As coisas não podem ficar apagadas, é preciso exercer juízo crítico. Vamos, sim, continuar dialogando.

Zack Cabral disse...

Alex, eu devo dizer isso é de você. É uma honra para mim tê-lo como amigo, mesmo longe, sua vida marcou e marca nossas vidas aqui em Campo Grande. Que Deus te abençoe ricamente querido irmão.