
Sermão Pregado em 17/01/10 na IPR Jardim Mario Covas
1 Pedro 1:3-9 3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós
Pedro, nessa carta, escreve para os fiéis que estão na diáspora, ou seja, dispersados por vários locais distantes do centro inicial da Igreja, que ocorre, como descrito em Atos 2 no advento da descida do Espírito Santo, na cidade de Jerusalém.
A Igreja, então, nasce de uma pequena comunidade de homens e mulheres. Haviam 120 discípulos, 12 apóstolos, pois Matias já fora eleito no lugar de Judas que se perdeu. No primeiro discurso o Apóstolo Pedro, cheio do Espírito Santo, já arrebanha 3 mil pessoas e em Atos 4 mais 5 mil. Além dessas, todos os dias o Senhor acrescentava aqueles que se haviam de salvar.
Uma grande multidão se forma em Jerusalém, mas a promessa de Atos 1 dizia respeito não somente à Cidade Santa, mas pela Judéia, Samaria e aos confins da terra. Assim, a medida em que Deus ia constituindo oportunidades, os Apóstolos, missionários, evangelistas, diáconos, e cristãos comuns iam propagando a mensagem de Esperança. Desta forma, em menos de 20 anos, a Igreja que nascerá com 120 discípulos, alcançou praticamente todo o mundo conhecido da época.
Devemos lembrar que a história nos diz de Cristãos na Índia, na China, nas regiões distantes da África, na Inglaterra, Espanha, Escandinávia. Em todos esses locais, já nos primeiros 20 ou 30 anos de Evangelho, a presença da mensagem cristã havia chegado. São vários os fatores que concorreram para esse rápido crescimento: Estradas romanas, língua comum, comercio, navegações etc.
As distâncias foram tornando-se cada vez maiores, e os apóstolos foram envelhecendo. As viagens tornaram-se cada vez mais custosas. As cartas passariam a ser o meio mais preciso de compartilhar a mensagem às comunidades distantes.
Assim, Pedro, depois de uma saudação inicial, passa a Escrever:
BENDITO SEJA DEUS
Tal como na oração do “Pai Nosso”, ensina por Jesus, onde o nome de Deus é “Santificado”, o apóstolo começa honrando-o. Toda a oração, todo momento de adoração, todo o agradecimento, seja pelo alimento, seja pelo acordar, seja pelo dia que passou, seja pelo momento difícil, seja pelo momento tranqüilo, é a Ele que deve ser expressado a Honra. Deus é Bendito, é Santo, é o Todo Poderoso, digno de todo Louvor. E a ele, devemos, como servos, como filhos, como criaturas, expressar sua Grandeza. Os anjos, querubins, sem pecado algum, sem terem recebido a benção da habitação do altíssimo, clamam diariamente diante do Grande Trono, SANTO, SANTO, SANTO. Quanto mais nós que recebemos tanto.
PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
Cristo, gerado pelo poder do Espírito no ventre da Virgem Maria, é filho legitimo e primogênito daquele que é o Santo e Bendito. Indo além, Jesus compartilha a essência de Deus, chamado Iavé no Antigo Testamento, sendo Deus como o Pai é Deus e, juntamente com o Espírito, formando a Triunidade Divina. Ninguém poderia ser chamado filho de Deus, tanto que o termo “Pai” não aparece no Antigo Testamento vinculado à Deus.
Porém, pela adoção, prática comum em todas as culturas, é possível a filiação com Deus. Por intermédio de Jesus, somos aceitos por Deus, pois em sua morte por nós, o Pai passa a ver Cristo em nossas faces. Assim, se queremos ver Cristo, basta olhar para o rosto daquele que está ao nosso lado. Se ele é um Cristão, ele é expressa justamente essa imagem.
Nessa adoção, então, uma grande família é formada. Não uma família de sangue, ou com vínculos humanos e legais, mas um família espiritual. Ligados não pela genética, mas pelo amor. Unidos na vida de Cristo, que está em todos nós.
SEGUNDO A SUA GRANDE MISSERICÓRDIA NOS GEROU DE NOVO
Antes praticávamos o pecado. Agora, temos a oportunidade, pelo perdão advindo da morte de Cristo, de apagar os pegados antigos e trilhar um novo caminho de retidão.
Entre a Misericórdia e a Justiça estão todos os pecados da humanidade. Pois ninguém é tão bom, a ponto de exceder a justiça, e ninguém é tão mal a ponto de transpor a misericórdia. Se não havia jeito para as nossas vidas, agora desfrutamos de uma “Nova Vida”, pois fomos “Gerados Novamente”. Temos um nova história para escrever. Aquilo que ficou para traz já não importa mais. Os erros cometidos permanecem nas conseqüências, mas não na condenação. Nesse quesito fomos justificados, pois “Deus castiga a culpa, mas protege os pecadores.”
Permanecemos pecadores. Porém não andamos mais no pecado, na desunião, nas intrigas, na indiferença, na falta de cuidado com o outro, na infidelidade, ingratidão e irresponsabilidade para com a vontade de Deus.
PARA UMA VIVA ESPERANÇA NA RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO DENTRE OS MORTOS
Toda essa realidade pode não ser clara. Às vezes não enxergamos, de fato, que tais coisas estão ocorrendo. Vemos o mundo em uma total devassidão, e a Igreja, que deveria expressar a “Vida de Deus”, seguindo o mesmo caminho.
Pessoas se unem em prol do Aborto, assassinando crianças que não têm como se defender. A homossexualidade tomando espaço como a nova moralidade, onde não quer ser somente aceita, mas gozar de direitos especiais suprimindo o liberdade e o evangelho. Pais que não zelam por seus filhos. Filhos que desonram os Pais.
Tudo que gera desunião, morte, destruição e imoralidade é pecado. O alvo de Deus é uma humanidade sadia. São famílias bem estruturadas. São comunidades unidas em oração e no servir uns aos outros. São pessoas que cuidam da viúva, do órfão, dos inocentes e do necessitado. Uma sociedade de bem aventurados que têm sede e fome de justiça. Que clamam por misericórdia. Que nutrem o amor.
Mas se não vemos isso, onde podemos buscar forças para viver o Cristianismo? Como clamar “Venha o Teu Reino”? Se dia após dia, ano após ano, as coisas não melhoram, como crer que Deus está fazendo, ou fará algo?
Pela Fé. Pela fidelidade. Aqueles que desistem no meio do caminho. Aqueles que abandonam o chamado. Aqueles que sabem das promessas de Deus, e deixam que a desesperança tome conta. Esses são mal agradecidos, infiéis e ímpios. Ninguém é tão responsável pela sua vida como você mesmo. Deus dará a Fé, a quem clamar por ela. Deus proporcionará experiências de Fidelidade para o crescimento daqueles que se posicionam em perseverança. Mas somente a esses. Esses são aqueles que receberão a cora da vida.
A Viva Esperança de que através da ação do Espírito da Vida nos faz prosseguir lutando. Os exércitos inimigos parecem ser mais numerosos e poderosos. A batalha parece estar perdida. A doença, fome, cansaço, depressão, ansiedade tomam conta. Os sonhos vão morrendo, e parece que não andamos para frente. Essa é a hora de provar seu valor. Coragem, pois o redentor vive. Ressuscitado, ele vai voltar e trará a realidade do Reino pleno a essa terra.
Essa é nossa Esperança Viva. Em nós, naqueles que receberam a habitação de Deus, Cristo já voltou. Hoje podemos viver paz que excede todo o entendimento, mesmo em meio às piores guerras. Podem morrer filhos, como uma conhecida de meu Pai, que perdeu três filhos de uma vez em um acidente de carro no último natal. Não haveria razões para continuar a viver. Tudo morreu. Mas ao terceiro dia à de surgir o sol da justiça. A ressurreição e a vida brotarão e seremos todos permanentemente vitoriosos.
Vivemos hoje, a realidade dessa Esperança, porém a vemos como num espelho. Chegará um dia, em que essa Esperança irá apresentar-se a todo olho. O Cristo exultante e triunfante surgirá para trazer paz aos aflitos, descanso aos cansados e inaugurar o tempo da ira de Deus sobre o pecado.
PARA UMA HERANÇA INCORRUPTÍVEL, INCONTAMINÁVEL, E QUE NÃO SE PODE MURCHAR, GUARDADA NOS CÉUS PARA VÓS
Na filiação, adoção, o Cristão torna-se co-herdeiro, isto é, herdeiro juntamente, com Cristo. Na imagem evangélica, Jesus é a premissa de toda criação, e Filho unigênito de Deus. Na adoção, deixa sua característica unigênita, para tornar-se primogênito. Assim, torna-se como um irmão mais velho de todos os Cristãos.
A referência que Pedro está fazendo aqui, parece ser ao dito parabólico do Filho Pródigo, que pede a herança do Pai em tempo inapropriado, e faz dela uma herança corruptível.
Segundo o texto de Lucas, esse filho sai da fazenda do Pai para conhecer o mundo. Lá, encontra-se com os prazeres da vida fácil que o dinheiro poderia comprar. Mulheres, festas, bebedeiras. Ele desperdiça a vida com aquilo que somente poderia trazer morte.
Seguindo essa chave de leitura, a herança de todo homem é a vida que ele têm. Vive-la junto à família, na casa do Pai, é amadurecer e entender o real valor e significado dessa herança. Mas querer ir para longe, andar por lugares obscuros, é correr o risco imediato de corromper a vida, isto é, perder a herança paterna.
Vivemos em um mundo dominado por um sistema diabólico. Toda a força satânica visa à morte, destruição e roubo. O aborto, com assassinato. O Capitalismo Selvagem, e o Socialismo Econômico como ladrões e usurpadores. O positivismo, e o relativismo como destruidores de mentes e vidas.
A vida que se vive nesse sistema não é vida, senão morte. E todos que vivem assim, estão mortos em delitos e pecados. Mesmo que tenham vida, pois de fato vivem, corrompem-na e contaminam-na. Se é dos pais, da família, celula mater da sociedade, a vida inicial, a desonra a essa gênese somente poderia trazer destruição, motivo pelo qual do decálogo já advertia a necessidade da honra à família para que os dias prolonguem, ou seja, para que haja vida.
É belíssima a imagem que Pedro parece esboçar, ao dizer que tal estilo de vida, longe dos padrões ético-morais da mensagem judaico-cristã, são como uma flor. Ela nasce e mostra seu vigor, em um primeiro momento. Mas toda essa beleza serve, tão somente, para atrair a vista. Porém, não muito tempo dura, pois seca-se e fica murcho, feio e repugnante.
Essa é a imagem da vida humana. O nascimento é uma dádiva de Deus. Se Maria, bem aventurada que recebe em seu ventre o Autor da Vida pode ser usada aqui como símbolo, é nela que a mulher se espelha para ver nascer o milagre de Deus. Dar a luz é como dar a vida ao mundo. É um momento sublime, como a flor que desabrochou e demonstra sua beleza.
Mas logo a o recém nascido cresce e deve tomar decisões. Abandona a inocência da primeira idade, para participar mais ativamente de um mundo decadente. Sem Cristo, fatalmente murchará e não terá mais tanta beleza. Gastar a vida renegando a família, a herança, é o caminho que todos um dia percorremos. A volta para o Pai, a conversão, o reconhecimento, no entanto, somente atinge alguns.
É nessa nova realidade que uma herança incorruptível aguarda aqueles que participam da Esperança Viva. Trata-se da própria Vida de Deus. Por muito tempo, o senso cristão tem olhado para os céus, aguardando o dia em que ele se abrirá para a entrada daqueles que creram mediante a agência do Espírito. Porém quando os céus se abrirem, não entraremos nós, mas é Cristo que virá. “Novos Céus” e “Nova Terra”. Um Reino Divinal instaurado na Criação, redimindo, reconstruindo, restaurando, aquilo que antes estava corrompido.
A vida sem a presença de Deus, é morte. È uma vida inóspita. É uma herança corruptível. Não obstante, a regeneração traz um vivificação. O Espírito da Vida, é o Espírito que dá a vida, e não somente à estabelece, mas à sustenta eternamente. Tendo o sistema diabólico sido exterminado, não haverá mais corrupção. Essa é a Herança Incorruptível. Uma verdadeira Vida, a Vida de Deus em Deus e por Deus.


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